Para quem leu o post relativo à minha horta biológica, lembra-se certamente da vontade que tinha em construir um galinheiro cá em casa, para ter ovos frescos. Hoje penso que foi uma ideia absurda... já vão entender a razão.
Primeiro tive de convencer o meu marido. Disse-lhe como seria importante para as crianças o contacto com estes animais, a alegria que teriam por ir buscar os ovos às capoeiras e como esta experiência seria importante para elas. Também lhe disse que assim saberíamos de onde vinham os ovos que comíamos.
Ideias sonhadoras mas que o convenceram e muito facilmente (acho que ele também queria, na sua infância teve este privilegio que o marcou de forma positiva).
Desenhou um galinheiro, que mais parecia um Hotel de 5 Estrelas, como podem ver na fotografia seguinte.
O segundo passo, foi comprar as galinhas. Não é fácil sabermos onde comprar e como as escolher. Por isso, a minha vizinha, que faz criação há algum tempo, gentilmente vendeu-me três galinhas suas, lindas e gordas, duas castanhas e uma branca, quase com seis meses de idade, altura em que começam a pôr os ovos.
O primeiro dia foi um excitamento cá em casa, as crianças corriam para o galinheiro de minuto a minuto, eu andava preocupada com o tipo de alimentação que deveria dar às galinhas, migar as couves, comprar mistura etc...E os cães... (sim tenho dois cães), esses estavam loucos com os novos companheiros!
Mas os problemas surgiram na madrugada seguinte. Realmente a experiência da vida é que nos ensina!
Uma das galinhas dormiu empoleirada na vedação do galinheiro, que como calculam nunca imaginámos que pudesse acontecer, e caiu de manhã ao acordar. Os cães, que estavam desconfiados por vê-la ali, apanharam-na imediatamente. Felizmente a minha filha mais velha ouviu tanto alvoroço que me acordou e cheguei a tempo de resolver a situação. A galinha voltou para o galinheiro, coxa é verdade mas de boa saúde.
No dia seguinte, apesar de termos colocado uma rede para as galinhas não chegarem à vedação, tivemos novamente o mesmo problema, só que esta galinha teve menos sorte. Ficámos tristes e decidimos que precisávamos de fazer obras importantes no galinheiro, para evitar situações futuras.
Passadas duas semanas, depois de tudo arranjado, lá fomos a São João das Lampas, porque a minha vizinha já não me vendeu mais nenhuma depois de tudo o que se passou. Comprámos mais duas.
Muito preocupados com as questões territoriais, colocámos cuidadosamente as novas galinhas junto daquelas que tínhamos e tudo correu maravilhosamente.
No final do dia, vou ao galinheiro para lhes dar alfaces migadas e reparo que uma das galinhas novas tinha desaparecido. Voou, mas tão alto que não imaginam e saiu para a rua. Já não a encontrámos e bem que procurámos.
Esta ideia sonhadora, tem sido muito mais complexa do que alguma vez pensámos.
Nunca se acerta à primeira, é a experiência da vida que nos vai ditando quais os melhores passos a dar rumo aos nossos objectivos.
Espero que estas três galinhas, que ainda sobram não tentem fugir, que sejam felizes no seu espaço e que comecem rapidamente a pôr ovos.
Até breve!